Saturday, June 2, 2007

Ah, o Internetês

Há professores que o defendem, outros que sentem seus efeitos deletérios nos trabalhos escolares, redações e provas: o internetês começa a invadir os bancos escolares e não há como negar.  Para os que acreditam que o internetês não atrapalha, leia essas três versões de um conhecido texto:

AMOr eH FogU ki ardi SEm SI vE…eh FeRIdaH ki dOI I nauM sI SEnTI…Eh 1 KONteNTAmEntu DIscOntEnti…Eh dor Ki dIsatinAH sEM doE………………

 amor eh fogu ke ardi sem c ve…eh ferida ke doi i naum c senti…eh 1 kontentamentu discontenti…eh dor ke disatina sem doe………………

 

amor eh fogo q arde sem se ver, eh ferida q doi e nao se sente, eh 1 contentamento descontente, eh dor q desatina sem doer…

 

Quer entender o que seus alunos escrevem sem maiores problemas?  Sugerimos o MiGuXeiTor, o primeiro tradutor online português-mixuguês - e divirta-se:

MiGuXeiToR © ® ™

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Wednesday, May 30, 2007

Welcome!

Damos as boas vindas aos alunos do IPUC - curso de Radiologia, e convidamos a todos vocês para se divertirem conosco visitando os seguintes tópicos do LINGUA FRANCA:

Partes do Corpo - uma lista de jogos interativos na Internet para aprender e praticar seu vocabulário sobre os órgãos do corpo humano em inglês;

Mumificação…em inglês! - um curioso site que explica todo o processo de mumificação, ótimo para treinar o vocabulário sobre corpo humano!

Construindo Frases - vários jogos interativos para exercitar a ordem das frases em inglês.

Falantes nativos à disposição - um site MUITO INTERESSANTE que permite ao visitante digitar uma frase e ouví-la ser lida pelo computador - ótimo para treinar a pronúncia ou tirar dúvidas, a ferramenta está disponível em vários idiomas e sotaques, inclusive o português do Brasil!

Gostaram? Não gostaram? Registrem nos “comentários” as opiniões, críticas e sugestões de vocês!

Posted by Frizero at 20:05:21 | Permalink | Comments (2)

O Corpo Humano

Aqui vão os links para vários jogos interativos que trabalham com vocabulário para as partes do corpo:

Memory Game - um jogo de memória online com o vocabulário básico sobre o corpo humano - as cartas vêm com imagem ilustrativa de cada parte do corpo estudada - em inglês;

Hangman - save the monkey! - um jogo de “forca” com o vocabulário básico sobre o corpo humano - em inglês;

Artificial Anatomy - um site mais elaborado, com imagens dos órgãos internos do corpo humano que devem ser localizadas em um modelo - é bastante visual e interativo - em inglês;

Partes do Corpo - Forca - um simples jogo de forca com o vocabulário das partes do corpo - em alemão;

Partes do Corpo - identifique a fotografia correspondente à palavra mostrada - em espanhol;

Human Organs - um jogo bem completo e detalhado, no qual o aluno identifica no modelo o órgão correspondente à palavra mostrada - em inglês;

Main Bones of the Skeleton - um jogo bem completo e detalhado, no qual o aluno identifica no esqueleto o osso correspondente à palavra mostrada - em inglês.

Posted by Frizero at 19:56:16 | Permalink | Comments (1) »

Mumificação… em inglês!

O The Oriental Institute of the University of Chicago lançou em seu site oficial uma atividade interativa através da qual se pode conhecer passo a passo o processo de mumificação das grandes autoridades do Egito Antigo. É um ótimo site para os alunos praticarem seu inglês e aprenderem um pouco mais sobre as partes do corpo:

Clique na imagem acima

Posted by Frizero at 19:20:45 | Permalink | Comments (1) »

Thursday, May 3, 2007

Seu nome em mandarim

O fascínio dos ocidentais pelas línguas do Extremo Oriente é antigo, e o site a-China.info oferece uma interessante ferramenta para os alunos brasileiros de Mandarim: digitando o seu nome em português, eles fornecem uma aproximação “fonética” de como ele seria escrito usando-se ideogramas chineses. Há vários nomes já catalogados e para cada um deles é mostrado o “nome chinês” em “caracteres” para uso em processador de texto e também uma imagem com os ideogramas escritos verticalmente.

O a-China.info tem ainda mais um atrativo - uma vez visto o nome em ideogramas, há como gerar uma imagem com ele escrito sobre lindas pinturas chinesas. A imagem acima, por exemplo, é “Tatiana”, o belo nome de minha não menos bela esposa (eles não tinham Robertson… seria exigir demais também!), sobre uma gravura de uma dançarina.

Meu conhecimento de mandarim é praticamente nulo para garantir a correção dos nomes… mas deixamos a tarefa para nossa querida e competentíssima colega e professora de mandarim em Porto Alegre, Lily, para tirar-nos essa dúvida.  Por enquanto, ficamos com a curiosidade para nós, que infelizmente pouco sabemos dessa língua cujo interesse no Brasil cresce a cada dia.

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Friday, April 27, 2007

Construindo frases

Muitos alunos têm muita dificuldade em construir frases em inglês, seja no uso dos verbos auxiliares para formar perguntas e frases negativas, seja na colocação correta de advérbios e adjetivos na estrutura frasal.

Listamos abaixo alguns jogos interativos disponíveis na Internet que podem ajudar os alunos mais visuais a entender e praticar a construção de frases em inglês de forma divertida - sejam eles adultos ou crianças:

SCRAMBLED EGGS - O aluno tem 45 segundos para colocar na ordem correta os ovos/palavras e verificar a resposta.  Se ele conseguir construir a frase a tempo, o pintinho estará a salvo; caso contrário, o ovo maior é quebrado…

WALL OF WORDS - O objetivo é construir um muro feito de palavras… O muro cresce de acordo com as respostas corretas dos alunos, que devem movimentar os tijolos/palavras.  Se tudo estiver certo, os pedreiros prosseguem para a próxima fileira de tijolos; caso contrário, aquela fileira de tijolos irá ruir até que o aluno acerte a ordem correta das frases, que podem ter cinco ou sete palavras.

MOLLY MIX-UP - Molly é uma extraterrestre que se diverte misturando palavras de uma frase.  É um jogo para ser feito em duplas ou grupos: um aluno digita uma frase para Molly; ela mistura as palavras e os demais alunos devem descobrir a ordem correta das palavras.  O jogo é interessante pela possibilidade que oferece ao professor - ou mesmo aos próprios alunos - de introduzir suas próprias frases no jogo.  ESTE JOGO TAMBÉM PODE SER USADO POR PROFESSORES DE OUTROS IDIOMAS, já que ele apenas mistura as palavras, aceitando frases em qualquer idioma!

SINK OR SWIM - Um pouco mais sofisticado que os demais, este jogo tem também gráficos mais elaborados e exigem dos alunos certa destreza com o teclado… Um pescador desce ao fundo do mar e o capitão do navio faz um desafio.  O objetivo é capturar o peixe/palavra que o capitão ordenar.  O jogo trabalha com os elementos sintáticos e exige algum conhecimento dessa terminologia, o que pode ser pouco convidativo para certos alunos.  Há dois níveis: o raso (fácil) e o fundo (difícil).

MONKEY BUSINESS - Um macaquinho precisa chegar até as bananas - para construir as pontes que ele precisa atravessar, os alunos precisam colocar em ordens frases simples. O jogo é ideal para trabalhar com alunos de nível básico, pois as frases são divididas em sujeito, verbo e complemento, o que ajuda muito nos primeiros passos deles na estrutura frasal em inglês. Quanto mais frases corretas, mais bananas o macaco consegue pegar. Quanto mais bananas, mais truques ele fará para o aluno que o ajudou no caminho!

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Wednesday, April 4, 2007

Demissões sem causa

Creio ser do interesse de todos o artigo publicado no Jornal Extra Classe - nº 111 - Março 2007 - seção Educação - do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do RS (Sinpro/RS):

 

Demissões sem causa

Sem considerar os currículos e nem a contribuição dos docentes para a excelência do ensino, as universidades inauguram uma nova fase de demissões. Em alguns casos, a alegação é a mudança nos cursos e, na maioria, nem sequer é apresentado o motivo. Segundo um levantamento realizado pelo Sinpro/RS em 2006, 1.771 docentes foram demitidos nas instituições em todo o Estado, e desde o início de 2007, já foram dispensados 168. Diante dessa realidade, cresce a preocupação com a qualidade do ensino, visto que muitos dos que foram excluídos do quadro são pesquisadores, responsáveis pelo desenvolvimento de programas de mestrado e doutorado e projetos de extensão. Exatamente as áreas que asseguram a produção do conhecimento, uma das funções das universidades prevista em lei, que determina a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.

por Stela Rosa

Jorge Almeida Guimarães, presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior (Capes) do Ministério da Educação (MEC), alerta que exonerar doutores e mestres pode repercutir negativamente. “É um risco para a graduação e, principalmente, para a pós-graduação. Isso pode levar à queda de conceito, e as instituições que ficam com nota três são fechadas”, informa. Jorge Almeida pondera que ter bons profissionais garante prestígio e qualidade e, por conseguinte, mais alunos. Diante disso, não seria essa a melhor alternativa para baixar custos com a folha de pagamento, razão também apontada como causa.

As recentes demissões realizadas pela PUC-RS seguem uma tendência já inaugurada há alguns anos por outras universidades com tradição e demonstram a seriedade da situação. Sem apresentar motivos, a instituição demitiu as professoras Maria da Glória Bordini e Regina Zilberman, da pós-graduação de Letras, além de outros docentes. A atuação delas tinha tal reconhecimento que provocou críticas de acadêmicos, escritores e estudantes, motivando um abaixo-assinado e a retirada do acervo literário de Erico Verissimo da instituição. Com intensa produção na área de pesquisa, elas atuavam na universidade há mais de duas décadas e eram responsáveis por iniciativas inovadoras, como o projeto pioneiro de organização de acervo literário, criado por Maria da Glória Bordini, que garantiu visibilidade à PUCRS tanto no Brasil como no exterior. O escritor Moacyr Scliar, cujas obras também integram o projeto, foi um dos que criticou o afastamento. “Maria da Glória fez, e faz, muito pela literatura no Rio Grande do Sul. Sua saída da PUC é, pois, lamentável”, frisa Scliar.

Sem critérios para demitir Capa da edição de Extra Classe que publicou o artigo

Outros aspectos questionados são a falta de critérios e os métodos utilizados. Amarildo Cenci, diretor do Sinpro/RS, ressalta que há situações constrangedoras, nas quais o docente, ao ser demitido, torna-se persona non grata. “Inúmeros professores queixam-se do tratamento. A PUCRS, por exemplo, vem suprimindo automaticamente o cartão de ingresso, o e-mail e até mesmo o acesso aos arquivos. É preciso respeitar os profissionais e reconhecer o trabalho prestado”, denuncia. Cenci frisa que vem sendo pontuada pelas entidades sindicais a necessidade de constituir espaços extra-institucionais para inibir abusos. “Continuaremos lutando para que essas questões sejam evitadas e um dos caminhos é a inclusão no projeto de lei da Reforma Universitária de critérios essencialmente acadêmicos para contratação e demissão de docentes, e não de clientelismo”, pontua.

No que se refere à PUCRS, o estabelecimento de critérios para as demissões já foi debatido pela própria Universidade. O professor Assis Piccini, ex Pró-Reitor adjunto de graduação, também afastado sem razão, informou que há um projeto prevendo a criação de um conselho para discutir essas questões, mas que ficou só no papel. “Falta transparência, não são apresentadas as causas, e os professores não recebem nenhum tipo de acompanhamento”, constata. Para a advogada da assessoria Jurídica do Sinpro/RS, Luciane Lourdes Webber Toss, as demissões devem ser transparentes para evitar, inclusive, as discriminações. “Já tivemos relatos de professores que se sentiram descartados em função da faixa etária, porque foram dispensados sem motivos após os 60 anos”, ressalta.

Professores desconhecem razões

Na recente onda de demissões da PUC, a principal crítica dos docentes é a falta de respeito. Maria da Glória Bordini pontua a desvalorização do trabalho construído. “Contribuímos para o reconhecimento da PUC e somos expelidos em cinco minutos. Falta compreensão do papel da universidade e a importância de manter a qualidade”, analisa. Regina Zilberman avalia que as universidades precisam valorizar os docentes. “Os professores são um patrimônio fundamental para a excelência de ensino, o credenciamento, pois os currículos desses são essenciais no processo e importantes também para captar recursos de subvenção pública, como as bolsas de iniciação científica”, pontua.

Os abusos também fazem parte do cenário, resultando em ações judiciais. Jorge Sarriera, que era da faculdade de psicologia da PUC, passou por uma série de circunstâncias constrangedoras antes da demissão, em 2006. Em função disso, atualmente ele move processo de assédio moral. “A estratégia foi impossibilitar minha atuação, com boicote de autorizações para me ausentar e cumprir minhas responsabilidades nas sessões de avaliação de projetos no CNPq ou de participar em bancas fora do país, deixando sem resposta as minhas solicitações, entre outras situações”, relata.

Alunos são prejudicados

Wagner Coriolano de Abreu, orientando de Regina Zilberman, e Ítalo Ogliari, orientando de Maria da Glória, ficaram sem as orientadoras na etapa final dos trabalhos e nem mesmo foram comunicados pela instituição. “Essa parece ser a tendência da conjuntura atual. No ano passado, aconteceu com professores da Unisinos. Isso é grave, e as universidades devem repensar seus projetos do ponto de vista da qualidade. Não podemos banalizar o ensino superior”, pondera Coriolano. Para Ítalo Ogliari, não há uma explicação institucional. “Eram professoras de ponta”, diz.

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Friday, March 30, 2007

Criando um perfil visual

Dentro de todos os sites que surgiram como comunidades virtuais depois do grande sucesso do Orkut, surge uma nova proposta que pode ser usada também como uma forma de tornar mais visual a definição de seu perfil pessoal para os potenciais amigos - além de, no nosso caso, poder ser usado como uma interessante ferramenta para auxiliar no ensino da língua inglesa, sobretudo com os alunos de níveis mais básicos.

é o nome desse site de relacionamento, cuja mais divertida novidade é permitir a criação de uma apresentação visual a partir das escolhas de cada usuário para os campos propostos pelo site. O meu perfil visual - ou, como eles preferem chamar, meu VISUAL DNA, por exemplo, ficou assim:


Para entrar no site e conhecer como funciona, clique no logotipo acima.

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Wednesday, March 21, 2007

Crescimento sem milagres

Jovens finlandeses em uma turma do Ensino MédioHá um país no qual a carreira docente tem um prestígio equivalente aos dos advogados, médicos e engenheiros, e onde ser professor é uma das ocupações mais procuradas pelos jovens universitários. Ingressar nessa carreira é, por conseqüência, muito difícil, e estima-se que apenas 20% (vinte por cento) dos que aspiram a uma vaga na universidade nos cursos de licenciatura conseguem tal intento. Todos os professores em atividade nesse país, aliás, não importando se atuam no Ensino Fundamental, Médio ou Superior, passaram por um curso de formação universitária.

Assim sendo, não é por acaso que a Finlândia ocupa a primeira ocupação em avaliações internacionais sobre desenvolvimento escolar em língua e ciências, e o segundo em matemática, feitas recentemente pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, ou OECD em inglês). O país tem atualmente um sistema educacional de excelência, que impulsionou a Finlândia de uma posição desfavorável em comparação aos demais países nórdicos antes da Segunda Guerra Mundial para o lugar de destaque como pólo tecnológico que ocupa atualmente, com produção per capita superior àquela de países como o Reino Unido, a Alemanha, a França e a Itália. Sem meios de produção agrícola, com exceção de diminutas culturas de subsistência, e sem grandes recursos naturais disponíveis, o país investiu em educação como a única forma de reverter seu quadro de estagnação econômica. E conseguiu.

As principais características que fazem do sistema educacional fnlandês um modelo de sucesso são a unidade e eqüidade de toda a estrutura escolar do país e, principalmente, a formação e a valorização dos professores. A sociedade finlandesa do pós-guerra comprometeu-se firmemente com a escola, e foi construída uma densa malha educacional que, atualmente, conta com quatro mil escolas e quinhentos e oitenta mil alunos que atendem à obrigatoriedade de nove anos de escolaridade totalmente gratuita. A rede de escolas é totalmente municipalizada e conta com forte apoio federal, o que fez com que a qualidade do ensino público se equiparasse à rede privada que, atualmente, responde por apenas cinco por cento da totalidade de alunos do Ensino Fundamental e Médio. No Ensino Superior, simplesmente não existem universidades particulares: todas as universidades finlandesas são estatais. Em todas as séries, as turmas são limitadas a não mais que vinte alunos.

Cena do documentário 'Pro Dia Nascer Feliz', de João Jardim, sobre a falência do sistema educacional brasileiroManter tal estrutura educacional custa aos cofres públicos finlandeses cerca de quatorze por cento de seu orçamento anual, aproximadamente seis por cento do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Mas é um esforço que vale cada centavo investido. Na mesma avaliação de 2003 em que seus alunos de quinze anos de idade foram classificados em primeiro lugar em leitura e conhecimento científico - superando países como a Austrália, Coréia do Sul, Nova Zelândia e Canadá - e segundo lugar em matemática - atrás apenas de Hong Kong -, os estudantes dos dois únicos países latino-americanos avaliados - Brasil e México - foram apontados como os de pior desempenho global.

As conclusões a que nos levam o exemplo finlandês são óbvias. O sistema educacional daquele país - como o de outros que conseguiram mudar seus destino de forma semelhante, como a Coréia do Sul - é unificado, ou seja, todos os estudantes recebem o mesmo programa, dentro de um mesmo currículo, o que, em outras palavras, significa dizer que todos vivem as mesmas possibilidades de crescimento e as mesmas oportunidades de aprendizado. Com isso, mesmo os alunos finlandeses que apresentam baixo rendimento escolar conseguem atingir um nível satisfatório de conhecimento, bem diferente da realidade brasileira, em que as escolas formam, anualmente, ao final do Ensino Fundamental, quarenta por cento de seus alunos sem condições de compreender textos ou efetuar operações matemáticas simples, ou seja, analfabetos funcionais. E a uniformidade do sistema educacional finlandês também reside em um fator que é ignorado por todos os governantes brasileiros, com reflexos funestos em toda a nossa sociedade: a Finlândia valoriza o professor, que obrigatoriamente tem formação universitária e, por conta disso, recebe salários dignos e ocupa uma posição de destaque naquela sociedade.

Curiosamente, a eqüidade do sistema educacional finlandês não representa uma perda de autonomia: os professores, pelo contrário, receberam mais atribuições a partir da década de 1990, quando o ensino foi totalmente municipalizado, mas com isso ganharam também o direito de escolher os livros-texto, o programa escolar, as diretivas disciplinares e de avaliação escolar e também as obrigações a que devem ser submetidos os pais e alunos em relação à cooperação com a escola. Em outras palavras, os professores são valorizados em suas atribuições, têm voz ativa no ambiente escolar e, por consegüinte, sentem-se motivados para trabalhar cada vez melhor por um sistema cujos resultados positivos são facilmente percebidos pela sociedade.

Comparar o Brasil com a Finlândia, dirão alguns, é impraticável. O país nórdico tem não mais que cinco milhões e quinhentos mil habitantes e trezentos e trinta e oito mil quilômetros quadrados; além disso, é parte da rica e desenvolvida Comunidade Econômica Européia. O Brasil, por outro lado, é imenso e com uma população aproximadamente vinte e cinco vezes maior que a da Finlândia. Mas até quando ficaremos “deitados eternamente em berço esplêndido”, usando nossa extensão territorial e grandeza populacional como desculpa, à espera de que os problemas brasileiros sejam resolvidos por milagres econômicos ou grandes planos mirabolantes de aceleração quando a base do crescimento de todas as grandes nações do mundo, ou seja, a educação, continua sendo tratada com descaso e amadorismo, com experimentalismos e falácias e, o que é pior, sem valorizar o professor?

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Monday, March 12, 2007

E o dia nascerá feliz um dia?

A escritora que talvez jamais venha a ser descoberta em Manari - 'Pro Dia Nascer Feliz', de João JardimComo todo bom documentarista, João Jardim teve a preocupação em não apresentar respostas prontas em seu documentário Pro Dia Nascer Feliz, o grande vencedor do Festival de Gramado de 2006 - melhor filme do Júri Popular, prêmio especial do Júri Oficial e Prêmio da Crítica. Mas, como toda obra de arte - e porque não chamar um documentário de arte? -, as perguntas que lança ao espectador são bem mais contundentes que qualquer solução antecipada que o cineasta pudesse oferecer.

Seu segundo longa-metragem - o primeiro em que assina sozinho a direção e o roteiro - é um retrato da educação brasileira composto a partir da visita a seis escolas de Primeiro e Segundo Grau em diferentes localidades brasileiras - em Manari e Inajá, no interior pernambucano; em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense; em Itaquaquecetuba, interior de São Paulo; e em duas escolas da capital paulistana - uma de periferia e uma de classe média alta.  A viagem pela qual Jardim conduz o espectador inicia-se em Manari, um dos municípios mais pobres do Brasil, onde a única escola pública de Ensino Fundamental não têm professores suficientes, infraestrutura ou mesmo condições mínimas de higiene a oferecer aos seus alunos.  Manari não tem escola de Ensino Médio, e por isso seus alunos são obrigados, como tantos estudantes brasileiros do interior do país, a viajar quilômetros para poder cursar o antigo Segundo Grau em um curso noturno que também sofre com a falta de professores e de infraestrutura.

Mas o filme não se limita a retratar as mazelas dos prédios escolares ou denunciar a falta de professores.  Seu passeio pelas periferias das grandes cidades, depois de mostrar a realidade do ensino no interior pobre de nosso país, parece apenas confirmar que o problema da educação no Brasil não é localizado.  Em toda parte há o fantasma da falta de professores, do descaso com a educação por parte dos governantes, da falta de estrutura física decente para que as escolas funcionem adequadamente.  Mas a ferida maior no sistema é intangível, imaterial e reside na construção simbólica da escola brasileira: Pro Dia Nascer Feliz mostra que a educação no Brasil perdeu seu sentido - que alunos não vêem no ambiente escolar um lugar de aprendizagem, mas sim um campo de luta contra os professores, em geral vistos como inimigos, e de busca por um diploma que para eles não representa mais que uma exigência social a qual eles precisam atender para buscar um emprego que, muitas vezes, não exigirá nada do que a escola lhes tentou ensinar; a outra face da moeda são os professores que, desmotivados pela falta de estrutura, pelos baixos salários e, sobretudo, pelo descrédito, desrespeito e violência com que são tratados pelos alunos, vão desgastando seu ideal de educador pela própria descrença em um sistema que parece cada dia mais falido.

Alunos do Colégio Santa Cruz, em São PauloO contraste que Jardim oferece entre as escolas de periferia e o colégio particular de um bairro de classe alta paulistano não é gratuito, nem uma tola tentativa de remeter à luta de classes, tema tão querido a alguns cineastas brasileiros.  O diretor e roteirista mostra, com essa visita, que o principal fator desmotivador do aluno brasileiro é a falta de perspectiva: os alunos do Colégio Santa Cruz, do bairro Alto Pinheiros, sabem que estudar é um caminho para que eles construam sua vida futura e vêem-se estimulados tanto pelos pais quanto pela escola; aos alunos de periferia, o que lhes resta?  Uma vida sem perspectiva, em geral filhos de lares com pai ausente, sem nenhuma razão para acreditar que a educação os levará até uma vida melhor.  Algumas cenas expressam bem a forma como seus sonhos são destruídos: Jardim entrevistou, por exemplo, uma menina da periferia de Itaquaquecetuba que encontrou um novo ânimo e uma razão para escrever ao participar do fanzine de sua escola; no ano seguinte, a mesma aluna, após concluir o Ensino Médio, trabalha em uma fábrica como dobradora de calças e confessa que já não encontra motivos para escrever; outra, no interior de Manari, é discriminada por ter o hábito estranho de ler e escrever - ela cita Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira, e confessa que seus professores sempre lhe deram notas baixas na escola por acharem que suas redações eram plagiadas de autores consagrados.  É dessa menina de Manari, que estuda para ser professora no curso de Magistério da cidade vizinha, uma das mais belas cenas de Pro Dia Nascer Feliz, quando ela recita a releitura do famoso poema Canção de Exílio, de Gonçalves Dias, que ela escreveu em referência à sua realidade de menina pobre de cidade do sertão pernambucano - um poema que denota um talento literário que, provavelmente, jamais florescerá por mera falta de oportunidades. 

Há muito que, no Brasil, a educação é associada, por nossos políticos e governantes, com o número de vagas nas escolas.  Não interessa se as crianças efetivamente aprendem algo - o importante é que estejam matriculadas, mesmo que não haja professores suficientes para atendê-las ou mesmo salas de aula adequadas para alojá-las.  Prova disso são os números do próprio Ministério da Educação, que estima que 98% (noventa e oito por cento) dos jovens brasileiros estão hoje matriculados no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, mas cerca de 48% (quarenta e oito por cento) terminam a oitava série sem saber ler e escrever.  Em outras palavras, o sistema educacional brasileiro gasta oito anos de escolaridade para transformar metade de seus jovens de analfabetos em analfabetos funcionais.

Pro Dia Nascer Feliz não traz cenas violentas ou chocantes, mas deixa um nó na garganta do espectador que vê na educação a única solução para os problemas de um país que se quer ainda acreditar como “país do futuro”.  Para os educadores, o efeito desse excelente documentário de João Jardim pode ser ainda mais devastador, pois não é difícil para nenhum professor identificar alí situações e experiências que eles próprios vivem em seu dia-a-dia.  Infelizmente, os que deveriam assistir e meditar sobre esse contundente relato sobre a falência da educação brasileira - nossos políticos e governantes - certamente não irão se importar ou sequer tomar contato com o filme.  Em verdade, tudo o que eles precisariam fazer seria ir, anonimamente, a qualquer escola de sua responsabilidade para ver, com seus próprios olhos, onde está a gênese de nossas mazelas todas.

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